Existe muito mais do que de fora conseguimos imaginar em um processo de design de interiores, seja para uma reforma inteira ou uma consultoria.
Esses dias recebi, de uma seguidora da mercê, uma pergunta no Instagram sobre qual é o maior desafio de um projeto, no lado técnico.
Como uma empresa de design que trabalha com a emoção das pessoas que nos escolhem, o maior desafio é realmente entender o que os clientes da mercê querem e ser capaz de reproduzir esses sentimentos em móveis, cores, decorações e texturas, dar vida a visão de cada um que nos escolhe!
Justamente por isso seguimos um processo de Briefing com muito carinho; quanto mais informações temos, mais seremos fiéis à essa visão.
Se você também é da área separei 5 questões que sempre fazemos a todos os clientes.
“O que não está funcionando neste espaço?”
“Quais são as maiores dificuldades/desgostos do espaço, hoje?”
Muitas vezes estamos empolgados pensando em como o espaço pode ser, que nos esquecemos de perguntar o que nossos clientes não querem que ele seja!
Se não alinharmos essas expectativas para os espaços teremos vários desencontros que, com o tempo, desgastarão nossa relação com o cliente e a dele com o lar.

“Como você descreveria o seu estilo?”
“Como você descreveria o estilo que está buscando para este espaço?”
Percebam que eu não pergunto para o meu cliente se ele gosta de clássico ou boho. Muitas vezes esses termos se confundem, são técnicos ou amplos demais. Com tantas informações e misturas de estilos é difícil para o nosso cliente se encontrar em um único, na maioria das vezes.
Não existe isso de ser uma coisa só – não na maioria das vezes.
Tem muito mais valor pra mim uma resposta de cliente assim:
“Uma pergunta difícil porque não tenho algo definido, sobre esse assunto. Eu gosto muito de casas aconchegantes. Sou uma pessoa fascinada em coisas quentinhas: tapetes de lã, cortinas, almofadas. Casa pra mim tem que ser pra usar e precisa de conforto. Gosto muito de madeira, texturas… mas, ao mesmo tempo, amo um toque industrial. Adoro cores sóbrias, janelas de ferro preto. Vou mandar umas referências que conseguem traduzir isso melhor.”
– resposta de uma cliente, querida, de consultoria.
Do que uma resposta do tipo: “gosto de industrial.“
Entendem agora por que sempre peço para que o cliente descreva o estilo que tem ou espera ter (muitas pessoas associam as mudanças de casa com mudanças de vida, e sempre estamos evoluindo).
“O que é prioridade para vocês nesses espaços?
Talvez pra você seja prioridade o que para o cliente não está se quer fazendo diferença.
Um exemplo muito clássico aqui na mercê são os pisos.
Aqui na mercê, sempre que um cliente chega para uma reforma completa, indicamos fortemente que os pisos sejam de madeira ou porcelanato acetinado/fosco (nunca polido), e caso o aspecto da madeira agrade, porém o assoalho natural não estiver dentro do orçamento, vinílico; nessa ordem inclusive.
Agora imaginem comigo que, os clientes de consultoria chegam na mercê querendo arrumar seus lares, que na maioria das vezes são alugados, desejando mais personalidade para o espaço enquanto estiverem ali. Faria sentido eu indicar para o meu cliente trocar o porcelanato brilhoso ou que imita mármore? E se, isso não for uma prioridade para ele? E se, ele estiver fazendo as alterações sem apoio do proprietário?
Serei eu a responsável por fazê-lo não gostar de um piso que não era prioridade e ao invés de focarmos no que realmente poderia ser diferente, tirar dele essa alegria?
Conseguem perceber a sutilidade que precisamos ter para com os nossos clientes?

“Qual a rotina da família neste cômodo?”
“Quais os ambientes vocês usam para quais atividades e com que frequência?”
Eu não acredito que um ambiente, por ser funcional, não possa ser belo. Temos muitos materiais e bons profissionais à nosso dispor (à lá mercê) para criar ambientes que deixem nosso olhar tranquilo e funcionem sem maiores dificuldades. Porém, por motivos óbvios, precisamos desenvolver, ambos os aspectos, em conjunto.
Entender a rotina da família em cada espaço é o que vai definir como os móveis, em especial, serão pensados, e é para isso que o design existe, facilitar a nossa rotina e deixar leve o nosso olhar.
“Qual valor vocês têm pretensão de investir na transformação de “tal” espaço?”
“Vocês têm uma média do valor que estão dispostos a investir nas transformações de “tal” espaço?”
Projeto bom é projeto executado. Não tem segredo.
De nada me vale vários renders que nunca serão mais que isso, imagem montadas.
Mercê trabalha com pessoas.
Eu entendo que exista um desconforto em fazer essa pergunta diretamente para os clientes que chegam até nós, e que, muitas vezes estão somente especulando e não pararam, ainda, para fazerem as contas do quanto querem ou podem investir em um projeto. Mas, acreditem, não existe fórmula que deixará seus clientes satisfeitos caso o projeto seja impossível de ser realizado, por mais lindo que tenha ficado.
Vou ensinar vocês como eu faço aqui na mercê para conversar sobre valores que os clientes querem investir (em um próximo post).
Embora seja um processo interno, quero as pessoas que me escolhem, ou escolhem vocês, fiquem felizes com o resultado de seus lares, e mais, quero que vocês sejam os que estão no mercado para realmente transformar a vida das pessoas; é com esses que me relaciono!
Já que mercê é floresta, vamos espalhar as sementes.
Eliziê Ribeiro.